A internet transformou a advocacia — e isso é inegável.
Mas, junto com a visibilidade, surgiu um fenômeno preocupante: o Direito começou a ser moldado por algoritmos.
Hoje, basta uma rápida rolagem nas redes sociais para encontrar uma enxurrada de conteúdos sobre rescisão indireta, BPC e salário-maternidade, por exemplo.
Temas relevantes, sem dúvida — mas repetidos à exaustão, impulsionados por anúncios e estratégias de tráfego pago.
Não há nada de errado em divulgar conhecimento jurídico.
O problema é quando o mercado se fecha em bolhas de visibilidade, fazendo com que áreas de maior complexidade e rentabilidade passem despercebidas, simplesmente porque não “viralizam” tão bem.
Mais do que isso, limitar-se a um único nicho pode fazer o advogado perder mais do que ganhar — e sim, estamos falando de honorários.
Posso dar um exemplo: é comum ver postagens exaltando o êxito em ações de BPC, benefício cujo valor máximo é de um salário mínimo, e que pode perdurar por meses ou até por toda a vida — sem, contudo, representar previsibilidade ou grande retorno financeiro.
Por outro lado, raramente se vêem publicações sobre revisão de benefícios, que podem gerar diferenças mensais superiores ao salário mínimo.
Eu mesmo já fiz e vi casos com valores mensais acima de dois mil reais e retroativos que ultrapassam duzentos mil reais.
Sim, exige maior domínio técnico e dedicação, mas um único caso bem estruturado pode render mais do que dez ações de BPC.
O que se vê, infelizmente, é uma advocacia cada vez mais voltada ao que é popular, e menos ao que é estratégico, resumindo-se a temas que apenas se tornam virais.
Na Justiça do Trabalho — área em que atuo com frequência —, o cenário é ainda mais preocupante.
É comum encontrar petições iniciais baseadas em alegações frágeis, reproduzidas quase como fórmulas, sem o devido cuidado em verificar se há, de fato, uma violação jurídica real.
Uma advocacia mais direcionada e menos marqueteira enxergaria melhor o que realmente importa — e, muitas vezes, o melhor resultado é não ajuizar.
Porque o tempo gasto em uma demanda infundada é o mesmo tempo que poderia ser investido naquela que realmente tem fundamento e mérito.
Ora, não é preciso muito para compreender que trabalhar mais nem sempre significa trabalhar melhor.
Mas quem aprende a trabalhar com estratégia, extrai resultados maiores, com menos dispersão e mais propósito.
Sou Dr. Gabriel Nery, advogado, especialista em Controladoria Jurídica, Direito do Trabalho, Consumidor e Previdenciário.
Atuo também na consultoria jurídica empresarial — e quero ajudar o seu escritório a se estruturar com eficiência e segurança.
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